Wednesday, May 10, 2006

Notas de uma emigração

Jacinto “Galeão”, era assim que chamavam em Lisboa ao avó do príncipe de Zé Fernandes.
É com “Galeão” que começa a grande homenagem à cidade de Paris, uma vez que foi precisamente por ter emigrado de Portugal para França, que Jacinto herda a sua estadia e o seu crescimento na cidade que tanto vai amar.
A primeira indicação deste percurso emigratório são as Costas da Cantábria que pela indicação que o narrador nos sugere foi feita de paquete: “ o paquete encontrou tão rijos mares que a Sr.ª D. Angelina...”(QUEIROZ, 1901:13). Baiona é a seguinte anotação que nos faz desta viagem, na qual dormiram uma noite, depois somente tomamos como referência a estrada de Orléans, já em França. Mais nada ficamos a saber deste roteiro... contudo dá-nos algumas referências que sequência uma reflexão breve sobre a emigração portuguesa nos finais do século de XIX.
Necessário salientar para que não sejam criados equívocos que estas anotações de uma emigração que Eça de Queiroz escreve não obedece as então verificados pela maior parte da população no seu século, uma vez que a maior parte delas prendia-se com motivações económicas. Galeão foi para Paris por razões políticas. Além disso este destino, é diferenciado daqueles que se verificava na larga parte da população que emigrava nos finais do século XIX. Nos quadros da emigração realizados tanto por H.Lautensach e Orlando Ribeiro, salientam que grande parte dos emigrantes portugueses, nesta altura, dirigiram-se preferencialmente para o Brasil(RIBEIRO,1991: 813).
Isto sugere-nos então, que o tipo de emigração que o escritor aborda refere-se a um caso muito particular, de que somente uma elite portuguesa do século XIX, então faria.

Bárbara

Monday, May 01, 2006


Mcdonaldização e a sua expressão no território



Mcdonaldização, termo cunhado e desenvolvido por George Ritzer, sociólogo americano da Universidade de Maryland, no qual se refere á radicalização do processo de racionalização nas sociedades contemporâneas .
Segundo este sociólogo, a Mcdonaldização “é o processo pelo qual os princípios do restaurante de comida rápida estão a dominar os cada vez mais sectores da sociedade americana, bem como do resto do mundo”(RITZER, 1993:1). Este processo generalizou-se e consolidou-se a todas as escalas do sector alimentar, desde a produção até à elaboração e preparação de pratos de comida.
Este paradigma organizacional e social que predomina na nossa sociedade fundamenta-se, segundo Ritzer, em cinco princípios: ”eficiência, calculabilidade, previsibilidade, controlo acrescido e de substituição de mão de obra por maquinaria com tecnologia de ponta e de elevada eficiência e rentabilidade”[1].
Esta racionalização, transformou por completo os diversos tipos de ocupação do espaço. Recorrendo, ao conceito de Boaventura Sousa Santos (2001), na sua análise dos processos hegemónicos, verifica-se, que a crescente globalização promove, uma padronização do paladar e a destruição do vastíssimo património gastronómico da humanidade.
Sobre esta complexa questão, será de todo possível conciliar os rimos de vida modernos e citadinos com a preservação do património gastronómico cultural, parece difícil, todavia, parece-me mesmo neste contexto que algumas empresas têm valorizado a gastronomia tradicional na cada vez mais globalizada racionalização alimentar.





Jorge Marques
[1] RITZER, George (1993), “The Mcdonaldization of society, Thousand Oaks: Pine forge Press.

O Espaço o elo de um encontro

O espaço parece ser parte integrante da Literatura e da Geografia. A Geografia trata o espaço, estuda-o não só enquanto suporte, mas também enquanto espaço de relações sócio-económicas, a Literatura por sua vez descreve-o nestas duas dimensões através de contos, romances ou poemas.

Os geógrafos e os literatos convivem no espaço, produzindo desta maneira as mais diversas visões sobre o mesmo, quer seja a partir de experiências ou da a análise de fontes secundárias
Como é feito então este encontro em Eça de Queiroz? Representará e desempenhará o espaço um elemento assim tão importante na “ A Cidade e as Serras”?

Tudo nos leva a pensar que as respostas a estas perguntas são afirmativas, aliás sobre isto MATOS (2002:57), refere que o romance obedece a uma exposição concêntrica de todas as influências que determinam um pensamento ou um acto, estas inflûencias podem ser naturais: o solo, o clima, entre outras, ou sociais como os costumes e a família.

O espaço em Eça de Queiroz não tem a simples função de evocar somente uma localização, não menos importante para a geografia, mas tem sobretudo a vantagem de existir uma noção de conjunto onde se encerram múltiplas relações e representações que sugerem verdadeiras interpretações espaço-temporais.

Fiquem bem!
Bàrbara



MATOS, A.Campos (2002-) Sobre Eça de Queiroz. - Lisboa
1º DE MAIO: UM PRODUTO DA REDEFINIÇÃO DAS RELAÇÕES LABORAIS.
O 1º de Maio é mais uma vez comemorado um pouco por todo o mundo e se a data não nos é estranha – já que crescemos e nos habituámos a desfrutar dela e do que ela representa – talvez nos sejam menos familiares os contornos da sua criação.
“No dia 1 de Maio de 1886 realizou-se uma manifestação de trabalhadores nas ruas de Chicago nos Estados Unidos da América. Essa manifestação tinha como finalidade reivindicar a redução da jornada de trabalho para 8 horas diárias e teve a participação de centenas de milhares de pessoas. Nesse dia teve início uma greve geral nos EUA. No dia 3 de Maio houve um pequeno levantamento que acabou com uma escaramuça com a polícia e com a morte de alguns protestantes. No dia seguinte, 4 de Maio, uma nova manifestação foi organizada como protesto pelos acontecimentos dos dias anteriores, tendo terminado com o lançamento de uma bomba por desconhecidos para o meio dos policiais que começavam a dispersar os manifestantes, matando sete agentes. A polícia abriu então fogo sobre a multidão, matando doze pessoas e ferindo dezenas. Estes acontecimentos passaram a ser conhecidos como a Revolta de Haymarket. Três anos mais tarde, a 20 de Junho de 1889, a segunda Internacional Socialista reunida em Paris decidiu por proposta de Raymond Lavigne convocar anualmente uma manifestação com o objectivo de lutar pelas 8 horas de trabalho diário. A data escolhida foi o 1º de Maio, como homenagem às lutas sindicais de Chicago. Em 1 de Maio de 1891 uma manifestação no norte de França é dispersada pela polícia resultando na morte de dez manifestantes. Esse novo drama serve para reforçar o dia como um dia de luta dos trabalhadores e meses depois a Internacional Socialista de Bruxelas proclama esse dia como dia internacional de reivindicação de condições laborais. A 23 de Abril de 1919 o senado francês ratifica o dia de 8 horas e proclama o dia 1 de Maio desse ano dia feriado. Em 1920 a Rússia adopta o 1º de Maio como feriado nacional, e este exemplo é seguido por muitos outros países.”
(in http://pt.wikipedia.org/wiki/Dia_do_Trabalhador)

Em Portugal, só a partir do 25 de Abril de 1974 se começou a comemorar também esta data histórica. Nesse ano, o 1º de Maio ficou marcado pelo simbolismo das conquistas revolucionárias, pela adesão em massa da população e pela força dos sindicatos. No entanto, actualmente esta data não tem já a mesma capacidade mobilizadora e os sindicatos necessitam de rever as suas estratégias e adaptar-se às mudanças entretanto operadas nas sociedades modernas.
Sobre o 1º de Maio em Portugal, Elísio Estanque escreveu no jornal público – exactamente há dois anos – que:
“Passados 30 anos desse momento apoteótico que foi o 1º de Maio de 1974, é tempo de reflectir sobre as transformações em curso na esfera do trabalho e as dificuldades daí resultantes para o sindicalismo português. (...) 30 anos depois do 1º de Maio de 1974, os problemas do trabalho agravaram-se e algumas das principais conquistas dos trabalhadores perderam-se ou estão ameaçadas, sem que o sindicalismo actual se mostre capaz de contrariar este estado de coisas. No actual contexto, a fragilização dos sindicatos é na verdade sinónimo de fragilização dos trabalhadores, mas existem processos sociais mais vastos que estão na base dessa debilidade. Por um lado, nos últimos vinte anos, uma aceleração global dos fluxos (materiais e imateriais) a todos os níveis, o que fragmentou as velhas classes sociais que serviram de suporte às principais lutas sindicais, recriando novas fronteiras e formas de desigualdade. Por exemplo, enquanto nas cúpulas da pirâmide social emerge uma nova elite constituída pelos profissionais altamente qualificados, dirigentes políticos, cientistas e académicos, que se instituem numa espécie de sobreclasse global, cuja condição privilegiada lhes permite usufruir da globalização e das inovações tecnológicas da sociedade da informação, na base da pirâmide submergem novas subclasses fortemente localizadas e dependentes, mesmo quando a busca de sobrevivência as leva a atravessar fronteiras ou continentes. Estas, são de facto as novas vítimas do capital global. Este novo subproletariado, que sobrevive nas fronteiras da exclusão social, não é evidentemente sindicalizável, mas o problema é que – sobretudo num quadro de desemprego crescente –, estes exemplos pautam os comportamentos da força de trabalho mais vulnerável, constituindo um poderoso mecanismo dissuasor e produtor de apatia e resignação, mesmo para quem (ainda) tem emprego.”
As consecutivas redefinições das relações laborais resultantes da luta dos trabalhadores tiveram o mérito de limitar a insegurança, a indefinição e a instabilidade criadas pelas primeiras formas de trabalho assalariado e conferiram um enorme valor histórico à relação de trabalho que hoje encaramos como tradicional e que surgiu após o século XIX nas sociedades em processo de industrialização. No entanto, é consensual a ideia de que as relações laborais estão num processo de transformação, desde há pelo menos duas décadas, por pressão da emergência de um novo paradigma tecnológico e de acréscimo da competitividade internacional, associado com os fenómenos de globalização económica. De acordo com Maria da Conceição Cerdeira (2000), as relações laborais tradicionais – homogéneas, constituídas por empregos estáveis, regulares e contínuos, ocupados por assalariados a tempo completo, sob o controlo de um único empregador e no espaço da própria empresa – estão em franca reformulação. Até aos anos setenta – essencialmente durante os chamados “trinta anos gloriosos” – trabalhar significava, no sentido real do termo, estar empregado no seio da empresa industrial, beneficiando de uma verdadeira integração social ao nível laboral. A década de oitenta marca a passagem da “sociedade industrial” para a “sociedade de informação”, dando lugar a um novo projecto de sociedade. Entretanto, diversificaram-se e multiplicaram-se novas formas de emprego que vêm substituindo aquelas práticas clássicas, nomeadamente ao nível da duração do trabalho, sua regularidade e duração do contrato a que se juntam as formas de trabalho não assalariado juridicamente. O mundo do trabalho/emprego aparece, assim, hoje marcado por uma multiplicidade de situações e de modos de trabalho/emprego. Pode-se falar verdadeiramente numa crise do fordismo e no aparecimento de novas formas de organização económica e social que põem em causa, na actualidade, as imagens que tínhamos de empresa, trabalho e emprego.
Cumprimentos a todos,
Luís



Afinal as rotundas ajudam ou não o trânsito a fluir? Apesar de poder ser motivo de discussão, uma das matrizes dos sistemas viários actuais aconselham à construção de rotundas nas malhas viárias.

Na década de 90, o semanário Expresso deu ao presidente da Câmara Municipal de Viseu o cognome Rotundas pela quantidade de rotundas existentes na cidade. Ainda o uso deste sistema viário não se tinha generalizado no país e Viseu já se distinguia como a cidade das rotundas.

O desenho da actual malha viária da cidade, assente num sistema "rádio-concêntrico (circunferências ligadas por radiais), começou a ser esboçado no início da década de 90, ainda no primeiro mandato do actual presidente da Câmara Municipal de Viseu, que teve início em 1989. E de pouco mais de meia dúzia de rotundas, Viseu passou em 10 anos para perto de quatro dezenas. Tantas que a própria autarquia já lhes perdeu a conta. E se a autarquia tinha encontrado na malha viária-concêntrica a fórmula para a fluidez do trânsito urbano, um estudo realizado pelo Departamento de Engenharia Civil, da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra, coordenado por Álvaro Seco, confirmou-o.

E porquê a opção pelas rotundas? Porque todos os pareceres técnicos aconselhavam, em zonas de maior tráfego, a evitar os cruzamentos e os entroncamentos, responde Américo Nunes, vice-presidente da Câmara de Viseu desde 1989. "É o sistema mais inteligível e inteligente que se fez até hoje", defende Américo Nunes, vereador do pelouro de trânsito da autarquia viseense. O vereador do pelouro do trânsito hierarquiza o sistema viário da seguinte forma: primeiro opta-se pelos cruzamentos; quando estes não respondem passa-se para as rotundas; quando estas começam a não dar fluidez semaforizam-se; e, quando também já isto não responde, opta-se pela construção de soluções viárias alternativas, como túneis e pontes. "É assim em toda a Europa", conclui Américo Nunes acrescentando que na base estão os cruzamentos, os mais susceptíveis de formar filas e, consequentemente, congestionamentos de trânsito.

Fonte: Jornal do Centro

Sunday, April 30, 2006


Segundo a Exam informática em http://exameinformatica.clix.pt/noticias/internet/213189.html

“Telemóveis desafiam computadores no acesso à Internet.
São já cerca de 28% os utilizadores de telemóveis que em todo o mundo utilizam estes equipamento para acederem à Internet, contra os 25% registados no ano anterior, revela um estudo da consultora Ipsos Insight agora divulgado.
Estes dados levam a consultora a concluir que, em breve, o acesso à Internet poderá começar a ser efectuado na mesma proporção entre telemóveis e computadores, deixando de se registar a situação de actual prevalência de acessos via PC.
A crescente capacidade das redes wireless, a multiplicação de aplicações móveis e a maior capacidade tecnológica dos telemóveis também deverão determinar que num futuro não muito longínquo o acesso móvel à Internet se comece a intensificar cada vez mais. “


Hoje em dia o acesso à informação em qualquer lugar é uma das características que distingue os países evoluídos, dos países menos evoluídos, sem infra-estruturas ou vias de comunicação. No entanto mesmo em Portugal podem existir assimetrias entre o litoral e o interior no acesso à informação e ao conhecimento (que são duas das principais alavancas para o desenvolvimento num mundo cada vez mais competitivo e globalizado onde as sociedades HI-Tech conquistam a supremacia global). É por isso uma boa notícia que o acesso móvel á Internet esteja a ganhar cada vez mais adeptos. Em Portugal esta iniciativa não parece acompanhar as experiências estrangeiras nos próximos tempos. A falta de aceitação destes serviços por parte do público deveu-se principalmente a três factores:
- terminais móveis bastante caros (quando possibilitam velocidades 3G a um preço acessível os ecrãs são pequenos e de baixa resolução dificultando a navegação);
- preços elevados na prestação de serviços onde a tarifa plana devia ser uma realidade (dado que permitia aceder à informação sem preocupação com o tempo dispendido na navegação, consulta de emails e outros serviços);
- fraca qualidade da rede a nível técnico e de distribuição no espaço, que faz com que não seja fiável iniciar uma ligação a Internet com um telemóvel em qualquer ponto do país e a qualquer hora, tal como deveria ser (independentemente da quantidade de potenciais clientes presentes numa determinada região).

Esperemos que a OPA à PT traga grandes mudanças nos operadores de telefonia móvel e que isso se reflicta em preços mais baixos e serviços de melhor qualidade mas, com a possível anexação da TMN á OPTIMUS, será difícil as operadores encetarem grandes mudanças a favor do consumidor. O consumidor precisa também de ser reivindicativo e mais exigente na escolha dos operadores fazendo valer a sua posição junto das instâncias competentes (DECO, ANACOM).

Francisco Vilão Morgado

A criatividade, a percepção e a representação do espaço vivido pelas crianças.

A figura.3 é um desenho de uma criança que representa a sua casa na aldeia, onde desenha o estábulo dentro de casa.

A figura.2 é a representação da cidade por uma criança.

Fig.2 e 3 retiradas de " Métodos y Técnicas de la Didáctica de la Geografía"(1996:29).

Figura 1. "Como medir a criatividade?" Revista Sciences Humaines ( Outº 2005:40).

Na fig.1 foi distribuida uma folha em branco com quatro símbolos para três crianças da mesma idade. Como se pode verificar surgiram três desenhos completamente diferentes, onde cada criança usa a sua própria criatividade.

Segundo Vygotski o conhecimento é um produto social e um produto pessoal. Cada aluno tem uma maneira própria de interpretar o espaço humanizado, e as conexões e as relações entre conceitos estabelecem-se na mente de cada um com uma diversidade quase infinita.

É evidente que que esta diversidade tem também muitos conceitos comuns, que se formaram por acumulação de experiências pessoais parecidas e percepções dentro do mesmo âmbito cultural.

Os conceitos adquiridos por experiência directa vão dos mais concretos aos mais abstractos.

Os factores individuais da criatividade são grandemente modulados pelo meio em que a criança vive, em particular pela estrutura do ambiente familiar.

Os factores que originam as diferentes formas de criatividade são condicionados não só em função do mundo onde as crianças fazem as suas experiências pessoais, como já referi, o meio familiar em que estão inseridas, mas também pelo meio social e todos os outros factores internos e externos que modelam o seu desenvolvimento.

A capacidade de inventar, de criar, de simbolizar o mundo, a memória visual, as emoções, as capacidades de interagir com diferentes meios, quer tecnológicos, quer virtuais, são bons exemplos de características que distinguem as crianças umas das outras em relação à criatividade, à forma como a utilizam e também à percepção e representação do espaço que as rodeia e do qual fazem parte.

Cristina

Fig.1. Folha em branco Fig.2.Desenho da cidade Fig.3.Desenho de uma casa na aldeia

Friday, April 28, 2006


As práticas de desporto e lazer da população Universitária de Coimbra


Este trabalho elaborado com base num estudo realizado pelo Doutor Rui Machado Gomes, professor associado da Faculdade de Ciências Desporto e Educação Física da Universidade de Coimbra, no livro “Os lugares do lazer”, onde são apresentados as várias formas de como os estudantes universitários costumam ocupar o seu tempo livre.

Para a elaboração deste estudo foi realizado um inquérito aos vários estudantes universitário, através da recolha de uma amostra heterogénea de modo a ser possível a retirada de conclusões com uma pequena margem de erro.

Depois da observação e análise dos dados do inquérito constatou-se que os estudantes referem não ter muito tempo livre, dedicando a maior parte do tempo para assistência, às aulas, ao estudo, ou então às tarefas domésticas.

Continuando a análise, passando em seguida a analisar as diferentes práticas de lazer da população universitária, observa-se que a maior parte dos estudantes têm como principal prática a ida a bares ou a discotecas, sendo seguida pelo lazer e convívio em casa dos amigos. A forma de lazer em casa de amigos tornou-se um hábito corrente da população jovem, as saídas tendo por base o divertimento cingem-se em muitos casos às deslocações entre a casa dos amigos onde podem conversar, ouvir música ou ver televisão e os bares e as discotecas onde há um contacto permanente com pessoas novas e o divertimento é a nota dominante.

No que concerne lazer desportivo, observa-se que infelizmente os jovens universitários praticam pouco desporto, preferindo na maioria dos casos, em períodos superiores a uma hora ficar em casa a ver televisão ou a jogar computador. Da análise aos dados observa-se que 43% dos estudantes realizam alguma prática física diária, registando-se que apenas 25% dedicam até uma hora por dia à actividade desportiva.

No que concerne à classificação dos desportos por género observa-se que os rapazes preferem os desportos colectivos, exercícios em casa, o atletismo, o ciclismo, enquanto que as raparigas optam mais pelas actividades tipicamente femininas como são o fitness, ou a ginástica.

As razões que os jovens apresentam para a prática desportiva vão desde a manutenção de um corpo saudável, de um bem-estar físico e psicológico, até ao combate do stress.

As principais razões que os estudantes de Coimbra apresentam para não praticarem desporto são por um lado a falta de tempo e por outro o interesse por outros passatempos.

É necessário aproximar os jovens do desporto, dos espaços desportivos, o que infelizmente não tem acontecido no que concerne aos estudantes universitários de Coimbra, sendo as razões apresentadas para esse distanciamento a falta de qualidade dos equipamentos, ou a distância aos mesmos.

Para que os estudantes da universidade de Coimbra pratiquem cada vez mais desporto é preciso a colaboração de todas as entidades públicas que existem na cidade e que vão desde a autarquia, às associações desportivas, aos clubes e à universidade. Todos juntos devem criar melhores condições aos jovens para que se pratique cada vez mais desporto e que cada vez mais estudantes tenham possibilidade de o praticar.
Deixo-vos aqui questões no ar: Concordam com esta análise? Acham que esta análise caracteriza o estudante Universitário de Coimbra, no que concerne às ocupações dos seus tempos livres? Podem apresentar soluções se na vossa opinião algo está mal e precisa de ser mudado para que o desporto seja cada vez mais praticado .
Tiago
Portugal Penaliza Mais Falta de Carta e Telemóvel do Que Velocidade
PÚblico 21 de Fevereiro 2004"Portugal é um dos países que têm penas de prisão mais pesadas para quem conduz sem carta e é um dos mais activos na aplicação de sanções contra o uso de telemóvel ao volante, mas é o que menos castiga o excesso de velocidade. Estas são algumas das referências num relatório da União Europeia sobre as regras de trânsito e a sua aplicação legal nos estados membros. O estudo, tornado público pela Direcção Geral Europeia da Energia e dos Transportes, concluiu que é necessária "a promoção gradual de convergência das principais regras de trânsito" dos Quinze e que a sua "aplicação efectiva precisa de ser suportada por um sistema integrado de informação". É que, segundo o relatório, "a análise dos regimes de sanções mostra que, para a mesma infracção cometida, nos 15 estados membros seriam aplicadas 15 diferentes punições". [...]Um dos problemas relacionados com a aplicação da lei em casos de excesso de velocidade em Portugal é, segundo o relatório, a aceitação da prova (obtida por aparelhos de radar) em tribunal que, frequentemente, é uma fonte de dificuldades para as polícias. Em relação ao uso de telemóvel, Portugal, Itália e Espanha "parecem ser os países que escolheram este tópico mais activamente no que diz respeito a sanções". Foram aplicadas 3613 multas no território português, 33.279 em Espanha e 10.968 em Itália, segundo o mesmo documento. O uso de cinto é um dos aspectos especificamente regulados por todos os estados membros. Uma das mudanças anunciadas é o facto de Portugal ter intenções de tornar obrigatório o uso de cinto de segurança no transporte colectivo de crianças. O relatório sublinha ainda que "o uso de cinto no banco de trás não é considerado socialmente importante" para os portugueses. Em relação à condução de veículos sem carta, Portugal, França e Alemanha são os países que têm penas de prisão mais pesadas para castigar esta infracção, sublinha o relatório. Em França e Portugal, a pena pode ir até aos dois anos e na Alemanha o máximo estabelecido é de um ano.

Ana Raquel
Listas eleitorais que não cumpram paridade serão excluídas

André Kosters/Lusa (arquivo)

O objectivo é aproximar o Parlamento português de uma composição em que o número de mulheres e homens seja equivalente
Projecto debatido no dia 22
Listas eleitorais que não cumpram paridade não serão aceites pelos tribunais
Por São José Almeida
quarta-feira, 8 de Março de 2006
O projecto de lei do PS que introduz na lei a obrigatoriedade de as listas eleitorais terem um limite mínimo de representação por sexos de 33,3 por cento é hoje entregue pelo PS na Mesa da Assembleia da República, assinalando o Dia Internacional da Mulher. A discussão parlamentar deste projecto está prevista, pela direcção do grupo parlamentar, para dia 22 de Março, estando já reservado o agendamento do plenário pelos socialistas.

No projecto está prevista a rejeição das listas eleitorais pelos tribunais no caso de este limite mínimo não ser cumprido. De resto, o PS repete os conteúdos já anteriormente defendidos em outros projectos de lei: que o limite mínimo seja de 33, 3 por cento para cada sexo e que este critério seja aplicado em todas as eleições plurinominais: Assembleia da República, Parlamento Europeu e autarquias.A intenção do PS, de acordo com informações obtidas pelo PÚBLICO junto de responsáveis da direcção da bancada parlamentar, é a de que o projecto seja aprovado com carácter de celeridade. Daí o agendamento estar já marcado. Foi também explicado ao PÚBLICO que esta lei será aprovada autonomamente e não negociada em pacote com outros diplomas que o PS pretende levar à Assembleia no domínio da melhoria da qualidade da democracia. Isto porque os socialistas estão vacinados com experiências passadas. Recorde-se que, no final da primeira maioria relativa de António Guterres, em Março de 1999, o primeiro projecto socialista que introduzia quotas no sistema eleitoral foi chumbado por toda a oposição. Já em Abril de 2001, o PS cedeu ao BE - que se estreava na AR nessa legislatura - a baixa à comissão sem votação dos respectivos projectos, aguardando aí a revisão do sistema eleitoral que nunca se fez, já que o BE queria que as quotas fossem a moeda de troca para que não houvesse círculos uninominais de candidatura no sistema eleitoral.

Dalila

Thursday, April 20, 2006

Geo Glocal - Geografia Humana
Actualmente, as mulheres imigrantes em Portugal, são em número bastante significativo, procedendo após a década de 80 ao reagrupamento familiar. Elas começam a emigrar sozinhas para a Europa, isto segundo um estudo encomendado pela Comissão Europeia em sete países: Itália, Irlanda, Dinamarca, Suécia, Polónia, Letónia e Portugal.
Em Portugal o estudo foi coordenado por Karin Wall, uma investigadora do Instituto de Ciências Sociais da Universidade de Lisboa, que concluiu que as mulheres já vêm sozinhas e que temos vários tipos de trajectória: mulheres mais velhas, entre os 40 e os 50 anos, que estão divorciadas e tem filhos adultos, mas que querem tentar refazer a vida familiar e obter melhores condições económicas; e mulheres mais novas, jovens, solteiras, que vêm de situações de pobreza no Brasil e noutros países da América do Sul que procuram também melhores condições de vida. (Fonte: http://tsf.sapo.pt/online/radio/index.asp?pagina=Arquivo, 2006-04-18).
No geral, a mulher imigrante é jovem, com idades entre os vinte e os trinta e cinco anos, sendo os grupos com idades elevadas provenientes do Brasil, Índia e S. Tomé e Príncipe. A mulher é normalmente solteira nos escalões etários mais jovens; e casada, com ou sem registo, nas idades mais elevadas, tendo um ou dois filhos, constituindo famílias nucleares. Desempenham actividades profissionais que requerem baixas qualificações, nomeadamente funções de empregada doméstica ou de limpezas, de comércio e de restaurante, sendo de destacar a situação das chinesas em que predominam empresárias e das brasileiras que são maioritariamente técnicas superiores (Brito, 2001).
É o sector privado que emprega maior número de mulheres, sendo que à excepção das chinesas, é o trabalho por conta de outrem o mais usual.
A situação profissional destas mulheres é precária, tendo em conta a actividade profissional, o tipo de contrato, a situação perante a profissão, o tempo de exercício da função e a forma como encontrou o emprego. Apesar do carácter de precariedade, as mulheres que procuram emprego não encontram obstáculos, desde que para desempenhar as funções não qualificadas. É de referir ainda, que ganham salários bastante inferiores em relação aos homens das suas nacionalidades.
A maioria destas mulheres tem qualificações que correspondem ao ensino secundário. Quanto às mulheres angolanas, brasileiras, guineenses e moçambicanas é de destacar que muitas possuem o ensino superior; enquanto que nas cabo-verdianas, indianas e santomenses predomina o ensino primário.


Luisa

Monday, April 03, 2006


LITERATURA DE VIAGENS:


Os itinerários e percursos assim como os roteiros e os diários de bordo são parte integrante desta literatura. Sobre isto ocorre-me então a ideia das viagens que fazemos com toda a ânsia que se prende com elas na tentativa de aprender e melhorar o nosso conhecimento sobre o mundo.
È sempre um prazer fazer algumas leituras que integrem estas Leituras de Viagens, não só pela riqueza e pela forma como o texto é então feito, mas sobretudo porque ficamos a conhecer novos territórios que integram paisagens quer físicas quer humanas diferenciadas. Para além disso, ficamos a perceber a relação do homem com os espaços que então vai retratando. Na verdade, e ao contrário daquilo que se possa pensar, esta Literatura de Viagens ultrapassa a noção descritiva e entende a relação do sujeito e do território.
Foram as “pitorescas descrições das ilhas do mar do Sul” do explorador alemão George Forester que motivaram Alexander von Humbolt a viajar e a estudar as grandes explorações da terra (CHOUPINA, 2005: 12). A sua importância acresce quando reflectimos sobre as então viagens feitas por Marco Polo, trazendo consigo inúmeras investigações nas mais diversas áreas do saber. Pela riqueza de informação que a descrição destas viagens possui também para a Geografia foi importante, não só pelo relato em primeira mão de lugares que eram desconhecidos mas pela própria interpretação que o sujeito dava a essa mesma descrição.
A Literatura de Viagens não se trata de um texto ficcional, todavia a sua realidade é subjectiva, aliás ao que parece é sempre um critério a ter em conta quando estamos a analisar a Literatura enquanto fonte Geográfica. O espaço é entendido como uma entidade que possui significados diferentes, dotada de uma identidade própria que se prende com a interpretação que cada indivíduo faz (MOYA, 2004: 472).
Parece ser assim proveitosa a contribuição da Literatura de Viagens para conhecer objectos geográficos e aquilo que os tematiza. Não vos parece? O que pensam então sobre esta temática?

Abraço!
Bárbara

www.institutocamões.pt
BOIRA Marques, RESQUES Velasco( 1996) " Las frentes literarias y documentales en geografia" in Moreno Jiménez e Marrón ( ed) , Enseñar Geografia: de la Teoria a la Prática, Editorial Sintesis, Madrid
CHOUPINA, Francisco Armando Angélico ( 2005), O lugar do meio: uma leitura geográfica da obra de Miguel Torga, Coimbra

Wednesday, March 22, 2006

Estrada para o céu?

Os europeus adoram viajar por estrada e a União Europeia conta actualmente com mais de 375 milhões de utentes rodoviários. Adoramos a liberdade, a independência e o espírito prático que isso nos oferece. O que menos se aprecia é a morte, são os ferimentos, é a carnificina daí decorrentes. Em 2003, o último ano de que há registos, 39 062 pessoas morreram e 1,7 milhões ficaram feridas nas estradas da Europa.
A verdade é que uma pessoa com menos de 50 anos de idade tem mais probabilidades de morrer num acidente rodoviário do que de ataque cardíaco ou cancro – representando os indivíduos na faixa etária dos 15 aos 24 anos um quarto dessas mortes. O sofrimento humano que esta carnificina provoca é incalculável, em termos puramente económicos o seu valor foi estimado em 2% do Produto Interno Bruto da União Europeia. Os acidentes rodoviários fatais raramente são divulgados nos noticiários nacionais, a menos que haja múltiplas vítimas mortais, como no caso de uma colisão de autocarro, ou várias crianças envolvidas. Isto parece sugerir um fatalismo deprimente de que se trata apenas de "acidentes inevitáveis", mas serão mesmo inevitáveis? Por que é que há tanta gente a morrer nas estradas? Há quatro factores principais;1. Excesso de velocidade – que contribui para cerca de um terço dos acidentes.2. Consumo de álcool ou de drogas – só a condução sob o efeito de álcool é responsável por 10 000 mortes por ano.3. Falta de cinto de segurança ou de capacete de protecção.4. Diferentes níveis de segurança oferecidos por diferentes veículos – se todos os veículos fossem tão seguros quanto os melhores da respectiva classe, metade dos ferimentos incapacitantes seria evitável. Nestas circunstâncias, não é preciso ser-se Sigmund Freud para descobrir que é o comportamento humano – condução má e irresponsável – que está na origem da carnificina. Falando com franqueza, se todos cumpríssemos as regras do código da estrada, a Europa seria um lugar muito mais seguro. Para citar apenas uma área, um estudo realizado na Suécia em 2000 permitiu concluir que a observância total do limite de velocidade teria reduzido em 40% o número de vítimas mortais. No meio dos destroços, a UE e os governos nacionais estão a cooperar para encontrar maneira de reduzir o número de mortos. A meta que se fixaram é a redução para metade do número de vítimas mortais até 2010. A base para tal é a proposta de um "Programa de Acção Europeu para a Segurança Rodoviária" apresentada pela Comissão Europeia em 2003. Esta proposta identifica 60 medidas que podem ser implementadas a nível da UE e nacional. Com base nestas recomendações, os Ministros dos Transportes europeus acordaram em Dezembro último que existem quatro grandes áreas que requerem uma intervenção imediata, a saber; 1. Aplicar as regras existentes e incentivar uma condução melhor e mais segura.2. Aumentar a segurança dos veículos; - Incentivar a investigação permanente no domínio da segurança – nomeadamente através da utilização de novas tecnologias. Estudar maneiras de incentivar as pessoas a conduzir veículos mais novos e mais seguros, eventualmente através de incentivos fiscais. 3. Melhorar as infra-estruturas rodoviárias – dedicando especial atenção à redução dos "pontos negros" onde se registam mais acidentes.4. Recolher e partilhar conhecimentos e ideias sobre métodos destinados a aumentar a segurança rodoviária. Esta última tarefa poderia ser levada a cabo por uma nova Agência Europeia de Segurança Rodoviária proposta que em princípio tem a aprovação do homem que orienta as recomendações no Parlamento Europeu – o deputado Ari Vatanen, Campeão Mundial de Ralis de 1981. No entender deste deputado finlandês, os políticos têm de assumir a responsabilidade e não se pode aceitar uma morte que seja na estrada. Ele acredita que o Parlamento aprovará uma resolução a apoiar o Plano de Segurança Rodoviária, quando votar sobre a matéria em finais de Setembro. No entanto, em última análise, cabe a cada um de nós, enquanto utentes rodoviários, assumir a responsabilidade pela segurança das estradas da Europa.

http://www.europarl.eu.int/news/public/story_page/062-1004-255-09-37-910-20050819STO01003-2005-12-09-2005/default_pt.htm

Sinceramente não estou assim tão optimista quanto à eficácia da implantação destas regras. Os carros estão cada vez mais potentes, mais desenvolvidos, e é praticamente impossível um controlo eficaz sobre a velocidade dos condutores. A meu ver, a única maneira de controlar a velocidade, aumentando a segurança e diminuindo, consequentemente, o número de acidentes, seria estabelecendo limites de velocidades nos próprios carros. Porém essa é uma situação dificilmente acontecerá já que os interesses económicos falam mais alto. Já existe, no entanto, automóveis em que, para funcionarem, o condutor terá de medir a quantidade de álcool no sangue e, segundo o resultado, o automóvel funciona ou não. Esta, para mim, é uma das medidas que poderão resultar de facto. As multas pesadas ou não, não diminuem os acidentes e o número de vítimas pois quem tiver dinheiro acaba sempre por não ser muito afectado com isso e continua a infringir. Também não me parece que as medidas de consciencialização tenham grandes resultados. Só medidas radicais poderão diminuir os números gigantescos de vítimas rodoviárias.

Ana Noronha